You are currently browsing the tag archive for the 'poema' tag.
viver no ambiente-limite
dizem ser bem complicado
é como pôr dinamite
nas mãos de um jovem soldado
moderno, não sabe o perigo
que está ao seu corpo colado
se acha bem resolvido
mesmo se sabe um só brado
campo de guerra, hospital
a situação é a mesma
num não se quer lodaçal
n’outro, baba de lesma
sujo, com fome, cansado
reza pra madre teresa
estéril, com sono, ocupado
desconhece pessoa ilesa.
o esquema ABAB
é um esquema legal
acaba por fazer ver
seu lado mais emocional
tira o barranco da frente
e estica o córtex sinuoso
faz até a serpente
dizer que é cobra e gostoso
fazer poema seduz
não precisa ser letrado
quem não consegue é avestruz
que bota o pensamento enterrado
vai, escreve uma coisa
chega de tanta miséria
vai, escreve uma coisa
ou vão te chamar de rogéria.
mariane voltou pra capital
voltou a mariane alvim
agora está perto da catedral
e do nosso amigo jobim
mariane, refaça o trajeto
agora no sentido oposto
aqui mora seu afeto
lá, só o seu desgosto
ao fumar esse cigarro
ouvindo a querida ana mello
espero que cuspa o pigarro
e saia daquele castelo
querida, você faz muita falta
embora eu não beije seu beijo
com um pé na cruz de malta
e o sovaco fedendo a queijo!
do rio pra brasília
seguindo meu coração
nem senti falta da família
preferi essa grande emoção
a paixão ficou só nisso
não virou amor, não vingou
agora quando penso em compromisso
escrevo um poema-nouveau
picho poemas em toda a alameda
tentando impressionar você
te quero mesmo que feda
para vermos pânico na tv
sei que parece engraçado
esse poema sem nexo
mas descobrir qual é o ser humano mais amado
não é nem um pouco complexo
não precisa fazer cara de ‘q’
esse ser abençoado
claro, é você.
ana: tá acanhado ?
não, acho bem excelente
ter a aprovação
dessa maravilhosa gente
embora fique sim acanhado
pois sei q escrevo
um poema cagado
escrevendo sem ser métrico
tenho boa oportunidade em vista
se não der certo como médico
posso virar repentista!
após ouvir um sussurro mental
e perguntar para um, dito, demônio
decidi ser mais ocidental
e passar por uma experiência de amônio
aqui, ainda mais longe do país russo
vi minha têmpora com uma comunista roleta
atrás de uma saída eu fuço
por que tanto peso numa só caneta?
em pé, sentado ou deitado
foi uma experiência chorada
mas não queria ficar amuado
nem depender de uma fada
como que de castigo
permaneci num eterno celibato
a falta de estar consigo
é sofrimento de fato.
se eu tivesse prisão de ventre
não sofreria com o meu destino
pois hoje – não importa o quanto me concentre
quem vence é o meu intestino
se num momento inoportuno
acendo um belo cigarro
pode ser num peugeot, fiesta ou num uno
meu cocô quer ver é o carro
sorte minha fotografia não cheirar
se o fizesse, estaria em apuros
ia feder como o mais poluído ar
e você ia me cobrar com juros
como vê, em matéria de escatologia
eu posso dar até aula
procuro, incessante, a magia
que vai me tirar dessa jaula.
me deixa com muita neurose
menino brincando de homão
temo ficar como o ozzi
velho e todo bobão
aqui no exército é assim
me sinto com um espartilho
medo de não dizer ’sim’
e alguém apertar o gatilho
se ao menos a minha sereia
tivesse escolhido o purus
mas preferiu outra areia
fugindo dos urubus
agora conto os dias
para aportar no tietê
conto com as virgens marias
e com o alto poder.
é um pensamento comum
levar susto no circo
mas mais assustador q zumbi
é linda mulher dando pum
é pensamento corrente
a fêmea ser higiênica
com seu parâmetro exigente
gosta de fazer arte cênica
esconde o pum
e o arroto
faz muito zum-zum-zum
quando o homem é escroto
esse lindo poema
é pra ana laura e pro marcos
sem eles fico com eczema
e quero voltar à sala de partos.


